A filosofia do absurdo (ou absurdismo) é uma corrente criada por Albert Camus, autor de obras tão magistrais como “O mito de Sísifo”, “O homem rebelde”, “O estrangeiro” ou “Calígula”. Ao longo deste curto-documentário, será analisado em detalhe o mito de Sísifo para ilustrar as características principais do pensamento absurdista. Além disso, serão expostas as três lições pertencentes à via da aceitação que propõe o escritor francês: a rebeldia, a paixão e a liberdade. Você está preparado para enfrentar o absurdo?
⌚ Linha do tempo:
00:00-02:01: Introdução.
02:01-05:31: O mito de Sísifo
05:31-14:00: O absurdo.
14:00-18:35: Vias rejeitadas.
18:35-21:10: Via da aceitação.
21:10-23:18: A rebeldia.
23:18-25:44: A paixão.
25:44-29:11: A liberdade.
29:11-30:06: Conclusão.
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O absurdismo se ocupa, como seu próprio nome indica, da natureza do absurdo. Este termo não deve ser interpretado coloquialmente como sinônimo de ilógico, incoerente ou estúpido. Estamos falando de palavras que podem se assemelhar até certo ponto, mas que não querem dizer a mesma coisa. De forma geral, o absurdo cobre o conflito interno do ser humano entre a busca de um sentido de vida intrínseco, esclarecedor e objetivo e sua aparente inexistência. Em palavras simples, não sabemos por que estamos aqui, qual é nosso objetivo último tanto a nível individual quanto coletivo - se é que há algum - e, para piorar, nenhum ente superior, força universal ou divindade se encarregará de reorganizar e/ou transformar a matéria para satisfazer nossas necessidades vitais e nos proteger dos perigos que o ambiente nos oferece. E, no hipotético cenário de que desenhássemos um projeto de vida proveitoso para a sociedade e gratificante para nós, nossa satisfação sempre estaria cerceada pela morte.
De acordo com Camus, os esforços realizados pelo ser humano para encontrar um significado dentro do universo são fracassos estrepitosos por definição, uma vez que não existe uma explicação racional capaz de unificá-lo tudo. Atenção: não é que o mundo em si seja absurdo, nem tampouco o homem como tal. O absurdo surge quando a necessidade inerente e latente do ser humano por entender como as coisas funcionam e dar sentido à sua existência com base no entendimento choca radicalmente com a irracionalidade que este mundo emana, ou seja, quando a apetência por buscar um efeito para cada causa, uma razão para cada fato e um todo para cada parte se encontra com a irreducibilidade a um princípio racional e razoável. Acreditamos que sabemos, mas nosso conhecimento é uma gota de poeira em comparação ao que ignoramos. Sob tais circunstâncias, o que um civitas médio poderia esperar de sua vida é pouco mais que um conjunto de atos monótonos, repetitivos, fúteis, inúteis e vazios de significado que executa por costume, tradição e inércia mais do que por coerência e lógica.